cogitationes, pervagationes et opiniones
... e porque não!
segunda-feira, 22 de junho de 2026
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Do INCIDENTE ao COLAPSO: Pensar a gravidade como um Contínuo [de Magnitude]
Durante um evento disruptivo, faz-se constantemente a seguinte pergunta: isto é, uma emergência ou uma catástrofe? Embora pareça uma questão puramente semântica, não é. E, com frequência, a resposta varia consoante quem a formula, seja o gestor [de emergência], o bombeiro no terreno, o cidadão, ou o jornalista que telefona ao presidente da câmara para obter informações sobre a ocorrência, a sua "gravidade" e os danos causados.
Esta ambiguidade não é um mero detalhe, mas sim um problema estrutural que reflete a forma como estamos habituados a avaliar a gravidade dos eventos adversos. Foi a partir deste problema que comecei a desenvolver o Contínuo de Magnitude.
Ora, para quem trabalha na proteção civil depara-se diariamente com escalas que teimam em não se articular. A FEMA dos Estados Unidos da América classifica os incidentes em cinco tipos. O UNDSS das Nações Unidas usa cinco níveis de risco. A OMS fala de eventos locais, regionais e globais. A OCHA tem os seus níveis L1, L2 e L3. A legislação portuguesa distingue apenas entre acidente grave e catástrofe, com três níveis de atuação: Alerta, Contingência e Calamidade.
Nenhum destes sistemas está errado. No entanto, nenhum faz o esforço para se ligar aos outros. E quando um incêndio rural se agrava ao ponto de exigir apoio internacional ou quando uma cheia urbana levanta a questão de saber se já justifica uma declaração de calamidade, a ausência de uma escala comum — uma verdadeira "língua franca da gravidade" — faz perder tempo.
O Contínuo de Magnitude estabelece assim seis níveis progressivos: Incidente, Acidente, Emergência, Desastre, Catástrofe e Colapso, que devem ser interpretados à luz de três variáveis que, em conjunto, refletem o que é realmente importante: a gravidade (a dimensão do impacto), a previsibilidade (o quanto podemos antecipar) e a reversibilidade (o que pode ser restaurado e/ou recuperado); pelo que de forma muito resumida:
- O incidente é o sinal inicial, uma oscilação, uma reclamação isolada, totalmente reversível e altamente previsível, mas que merece registo.
- O acidente é o risco já concretizado, limitado no tempo e no espaço.
- A emergência marca o ponto de viragem, pois já não basta conter localmente, sendo necessário mobilizar e coordenar.
- O desastre ultrapassa a capacidade de resposta local.
- A catástrofe exige a reconstrução de sistemas inteiros e não apenas a salvação de vidas.
Há ainda um sexto nível, que nenhuma das escalas internacionais nomeia.
Defini-o como "Colapso" ("A Falência Irreversível"): o ponto em que um sistema essencial perde a capacidade de funcionar de forma sustentável, sem qualquer perspetiva de recuperação. Não tem correspondência formal nem na legislação portuguesa nem na bibliografia internacional. No entanto, é cada vez mais difícil argumentar que não precisamos de um nome para ele: desertificação irreversível de territórios, falência de Estados ou colapso climático regional, entre muitos outros. São processos que a nossa gramática institucional ainda trata como excecionais, mas que começam a ser demasiado previsíveis em certas geografias.
Foi também isso que me levou a este modelo a partir da região onde trabalho (e que pode ser adaptado a qualquer outro território, nacional ou internacional); o interior alentejano não enfrenta apenas emergências pontuais; enfrenta um processo lento de esvaziamento que só este sexto nível consegue nomear com precisão (embora esta situação nos permita estabelecer paralelismos com outras disciplinas que não serão exploradas neste momento).
O mais importante do Contínuo não é classificar, mas sim o que essa classificação pode desbloquear. Como poderá ser facilmente compreendido, cada um dos seis níveis pode ser associado a uma fase dominante do meu Ciclo de Gestão de Emergências (Avaliação de Riscos/Planeamento, Prevenção/Mitigação, Reação/Resposta, Recuperação/Reconstrução e a fase transversal de Comunicação/Progrição) e a um nível de articulação institucional correspondente, desde os técnicos operacionais até às organizações supranacionais.
É esta ligação entre o nomear e o agir que torna o Contínuo de Magnitude mais do que um exercício académico. Foi pensado para ser utilizado e também como uma ponte de ligação/tradução sempre que é necessário "falar" com as entidades que nos apoiam externamente ou, simplesmente, com o colega do município vizinho.
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Fonte: Peres, A. J.. (2025). Metodologias de Apoio à Gestão de Emergências e Catástrofes. Lisbon International Press.
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terça-feira, 7 de abril de 2026
Ciclo de Gestão de Emergências
O funcionamento expectável de um Ciclo de Gestão de Emergências flexível e adaptável aos eventos disruptivos.
A Comunicação é uma componente essencial do ciclo de gestão de emergências, desempenhando um papel fundamental na troca de informações, e no tratamento, coordenação e divulgação de mensagens relevantes.
A Comunicação envolve a interação com as comunidades afetadas, fornecendo-lhes informações claras sobre os riscos, medidas de segurança, abrigos temporários, serviços disponíveis e recursos de apoio. Pelo que a escuta ativa e o envolvimento das comunidades são essenciais para promover a confiança, a participação e a colaboração mútua, facilitando assim a recuperação e a reconstrução.
A Comunicação durante uma emergência também requer a capacidade de lidar com a desinformação e os rumores que podem surgir. É importante que as autoridades e os responsáveis pela comunicação estejam preparadas para monitorizar e corrigir informações falsas, evitando assim a propagação de boatos que possam gerar o pânico e a confusão. Esta fase é crucial para a troca de informações precisas, coordenação eficaz e envolvimento das partes interessadas durante os eventos; por meio de uma comunicação clara, oportuna e confiável, procurando informar, orientar e mobilizar ações que visem à segurança, ao apoio e à recuperação das comunidades afetadas.
A Progrição pretende definir-se como conceito abrangente que engloba aprendizagem contínua, ciclo de gestão, envolvimento contínuo na gestão de emergências, resiliência e o papel dos seres humanos nesse contexto. Considerando a necessidade de aprendizagem contínua, aliada à importância de aprender com as experiências passadas, de atualizar conhecimentos e de desenvolver novas competências e habilidades ao longo do ciclo, é possível aperfeiçoar as estratégias, os processos, os mecanismos e as práticas utilizadas.
A progrição impulsiona o progresso constante e sustentado em todas as fases, com o objetivo de fortalecer a capacidade de resposta e recuperação perante eventos adversos, numa ligação direta com a comunicação. Esta abordagem colaborativa e integrada permite a participação ativa de todas as partes interessadas, incluindo governos, organizações da sociedade civil, agentes de proteção civil, comunidades, entidades, empresas, sociedades e indivíduos, ou seja, os setores público e privado.
Permite fortalecer a resiliência, entendida como um recurso crucial e intrínseco da necessidade e capacidade das comunidades e dos indivíduos se adaptarem, recuperarem e se fortalecerem perante adversidades. Permite também implementar medidas preventivas e mitigadoras atualizadas, promovendo a preparação adequada, a prontidão para responder a emergências e a rápida recuperação das áreas afetadas.
Em suma, a progrição, define-se como um conceito abrangente que aglutina e correlaciona o progresso, a aprendizagem contínua, a inovação, e o processo contínuo de gestão, potenciando a resiliência e o papel dos seres humanos, sempre com a apreciação da História (Peres, 2023).
quinta-feira, 19 de março de 2026
Elastic Risk Matrix (ERM)
Elastic Risk Matrix (ERM)
A atual gestão de catástrofes centra-se em inventários de recursos. O futuro, que abordo no Capítulo 8 do meu livro, exige algo mais: a Elastic Risk Matrix (ERM).
A ERM não é uma fotografia estática do perigo, mas sim um modelo dinâmico em que o risco real é determinado pela maturidade organizacional e pela memória histórica.
A lógica do colapso é a seguinte: o sistema sobrevive enquanto tiver capacidade de "deformação elástica". Através da interseção entre o Vetor de Pressão Exógena (Φ) [o impacto externo] e o Vetor de Resistência Dinâmica (Ω) [a nossa força invisível], calculamos o Determinante de Peres (Dp).
O Dp identifica o ponto exato em que a estrutura esgota a sua elasticidade e entra em rutura. É o "retrovisor da História" a servir de motor para a Progrição.
Fica o mote para o que aí vem.
Em cenários de magnitude elevada, a memória é mais valiosa do que a força musculada.
Voltaremos a este conceito em 2027.
© 2026 Acácio de Jesus Peres. Todos os direitos reservados.
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terça-feira, 10 de março de 2026
Sessão Técnica e lançamento do livro: "Metodologias de Apoio à Gestão de Emergências e Catástrofes"
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
O PARADOXO DA PROGRIÇÃO E A ASCENSÃO ADAPTATIVA
1. Definição Conceptual
domingo, 8 de fevereiro de 2026
PARADOXO da PROGRIÇÃO
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
Metodologias de Apoio à Gestão de Emergências e Catástrofes
LIVRO
Ferramentas de Suporte à Decisão para Administrar o Incerto
Num mundo cada vez mais interligado e vulnerável, a gestão de emergências e catástrofes deixou de ser apenas uma resposta, passando a ser uma verdadeira arte de antecipar, coordenar e agir sob pressão. Esta obra apresenta um paradigma inovador, que alia um ciclo de gestão dinâmico, um contínuo de magnitude para avaliar a gravidade dos eventos e a metodologia W5H2M como suporte sólido à decisão estratégica. Mais do que uma mera teoria, disponibiliza ferramentas práticas e comprovadas, concebidas para apoiar profissionais, decisores e académicos na árdua missão de transformar o inesperado em ação organizada, eficaz e resiliente. Gerir catástrofes é, em última instância, manter a vida administrando o incerto. Partindo desta premissa, o livro apresenta-se como um guia imprescindível para todos aqueles que não se limitam a reagir, mas que procuram preparar-se, adaptar-se e evoluir, identificando no caos a oportunidade de proteger, reconstruir e aprender.
Índice
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
domingo, 24 de agosto de 2025
domingo, 9 de março de 2025
domingo, 14 de maio de 2023
quarta-feira, 8 de março de 2023
sexta-feira, 16 de dezembro de 2022
segunda-feira, 4 de abril de 2022
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
quarta-feira, 25 de agosto de 2021
domingo, 25 de abril de 2021
sábado, 30 de janeiro de 2021
sábado, 4 de abril de 2020
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EDUCAÇÃO DOS ANOS 80
Podes correr contra o tempo, mas tens a noção que nem uma, nem duas, nem três vidas… chegam para recuperar 1/10 do tempo perdido!
Assumindo que o ‘perdido’ não é mais que a ausência de estímulos, que em rigor, não foram premeditados, mas ingenuamente assimilados pelos outros, que Te transmitiram o que podiam!"
©2020 Acácio Peres













































